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Os rumos da economia global e ecológica

A Ecológica Bioeconomia Global

A partir de ampla conscientização e mudanças de paradigmas comportamentais é que poderemos redirecionar os rumos da ecológica bioeconomia global. A questão ambiental, e a gestão dos recursos naturais e energéticos necessitam de maior representatividade nas pautas de políticas públicas e econômicas.

Os conflitos de gestão ambiental e uso de recursos naturais, discrepâncias sócio-econômicas, e a proliferação de pragas propagam ciclos contínuos de crises. A exaustão dos recursos naturais imprime limites diretamente proporcionais ao crescimento econômico, e comprometem a qualidade de vida das próximas gerações.

Recursos “terra”, meros fatores de produção?

Desde o início das postulações teóricas da economia clássica e neoclássica, considera-se a terra, o trabalho e o capital como fatores de produção essenciais para a materialização de bens nos processos produtivos.

De acordo com estas escolas econômicas, o recurso terra engloba as florestas, minas, recursos naturais, solos e terras cultiváveis. Estes elementos, que compõem o meio ambiente, são classificados como compartimentos da economia.

A economia real, todavia, é que deve ser conceituada como um sub-conjunto do sistema ecológico. A vida em comunidade, organizações sociais, e consequentemente as atividades econômicas humanas, são manifestações vitais de uma das espécies que habitam o planeta.

Os rumos da economia global e ecológica
(Reprodução: bioblog)

Representam as interações dos seres humanos entre si e com o seu meio natural. Neste aspecto, a espécie racional, diferentemente dos demais organismos, não interage harmonicamente com o seu habitat.

Costuma explorá-lo e degradá-lo até a depleção. Posteriormente, desloca-se para outras regiões para se apropriar de novos recursos naturais. Na vida em comunidade, em conjunto com as demais espécies do macro ambiente terrestre, o ser humano comporta-se como um predador, ou um parasita.

Sistemas e entropia

Economia neoclássica e marxista – sistemas fechados

Os princípios e pressupostos da economia com base na ecologia surgiram a partir das análises integradas do romeno Georgescu‑Roegen. Este estudioso questionou um dos pilares do sistema econômico – o diagrama do fluxo circular. Um modelo que sintetiza a organização e funcionamento da economia.

Neste diagrama, característico das escolas neoclássica e utilizado no modelo de reprodução simples da teoria Marxista, os sistemas econômicos são considerados como mecânicos, fechados e circulares.

Os rumos da economia global e ecológica

Bioeconomia ecológica – sistemas integrados com a natureza

Na Eco ou Bioeconomia, contudo, sugere-se o abandono de um prisma econômico isolado da natureza. Considera-se que a economia está inserida no sistema ambiental. A Bioeconomia é a base da produção, a partir da utilização de recursos recicláveis e renováveis, de fonte biológica e sustentável.

Portanto, para uma verdadeira concepção de uma economia holística é fundamental a reflexão a cerca dos conceitos oriundos das observações das ciências naturais, estruturando a produção no conhecimento tradicional e uso sustentável da biodiversidade.

A natureza está condicionada às leis da Termodinâmica. Isto significa que existe a tendência, no decorrer do tempo, à desordem ou entropia do sistema universal e a perda de energia através da dissipação do calor.

A partir do momento que se propõe considerar a economia como integrante de um ecossistema dinâmico, naturalmente infere-se que a mesma está suscetível às leis da termodinâmica, e às intricadas interações ecológicas. Modelos econômicos que não considerem esta condição, estão fadados a falhas e erros de diagnósticos.

Conforme a lei da termodinâmica e a entropia, as trocas de energia envolvidas nos processos da economia real também não podem ser negligenciadas na reprodução econômica.

Incremento da desordem do sistema terrestre

Na prática, para a manutenção do ritmo consumista da economia capitalista moderna, é necessária a adição constante de energia ao sistema, a partir dos fluxos de entrada derivados da natureza. Estas atividades produzem resíduos que na maioria das vezes não podem ser reutilizáveis.

As ações humanas incrementam a entropia do sistema terrestre. A crescente apropriação dos recursos naturais proporciona degradação e perda de energia, bem como exaure os meios biofísico-ecológicos.

Este processo é viabilizado quando se utiliza a energia potencial dos bens naturais e não renováveis (baixa entropia), para transformá-los em bens duráveis e com grande propensão ao descarte e geração de resíduos.

Princípios da precaução e prevenção

As atuais pesquisas científicas ainda não possibilitam previsões sobre todas possíveis reações ambientais resultantes da sucessiva exploração de recursos. Neste aspecto, torna-se imprescindível comedirmos nossas ações em princípios da precaução e prevenção.

Prevenir para que posteriormente as atitudes mitigadoras não sejam ainda mais amargas, ou mesmo gerem externalidades negativas irreversíveis e sem remediação efetiva.

O ser humano necessita se desvencilhar das suas visões antropocêntricas. Se conscientizar que a natureza tem um valor intrínseco. Isto significa que o planeta Terra não existe para servir aos desígnios humanos. Com ou sem a nossa presença, a Terra já existia e continuará a existir.

Importância dos sistemas culturais e sociais

Os patrimônios florestais, a biodiversidade e as comunidades tradicionais precisam ser preservadas. Floresta em comunidade Jotï, na Venezuela. (Foto reprodução. Crédito: Eglee Zent)

A abordagem multidisciplinar é a tônica da economia ecológica. Contribuições ao conhecimento oriundas de variadas áreas são agregadas na tentativa de aprimorar a qualidade de vida do ser humano. Neste aspecto, utiliza a concepção de desenvolvimento econômico sustentável, e voltado para o bem estar da humanidade.

A alocação dos escassos recursos não é o único, ou o mais importante aspecto a ser alcançado pelas políticas econômicas. Prioriza-se a distribuição de forma mais justa e equilibrada, e a utilização racional dos recursos naturais.

Postula que a exploração natural em excesso engendra agudos problemas ao meio biofísico, reconhecendo que existem limites ao crescimento material. Neste aspecto a importância dos sistemas culturais e sociais é valorizada, com estimulo ao diálogo e prática da solidariedade.

A utilização dos bens e serviços ecossistêmicos essenciais, a exemplo dos recursos hídricos, deve ser predefinida e apresentada à sociedade com transparência.

A sua gestão não deve ser concedida à exploração lucrativa e concorrência. Setores estratégicos vitais em geral carecem de adequado gerenciamento público.

Os pressupostos da ecológica bioeconomia global podem incrementar os rumos econômicos no longo prazo. Caso não haja esta necessária mudança de paradigma, os ciclos de crises do sistema capitalista se repetirão, como num hipotético moto-perpétuo. A falta de sintonia em relação às leis da termodinâmica geram estes desequilíbrios cíclicos.

Referências

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Imagem da capa: Terrace Standard, foto: Metro Creative

Ricardo Borges

Economista, geólogo e músico autodidata. Trabalha com publicidade e consultoria em marketing digital. Criador de conteúdo e pesquisador nas áreas de geociências e astronomia.

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