Skip to main content
Ciclo de crises do sistema capitalista

O ciclo de crises do sistema capitalista

Os ciclos da economia sempre estiveram presentes ao longo da trajetória do sistema capitalista. A análise e aperfeiçoamento do sistema econômico depende da compreensão do ciclo de crises do sistema capitalista.

A história do capitalismo e da economia moderna é marcada por ciclos econômicos sucessivos, que apresentam períodos de expansão, recessão, graves crises e recuperação econômica.

Este post é um desmembramento do unificado artigo – Capitalismo, Estado e Crises Econômicas. Um tópico mais abrangente e completo, cujo conteúdo aborda a análise dos ciclos econômicos e suas fases, a importância das inovações para a expansão da economia, e principalmente, o gerenciamento de crises dos países capitalistas centrais ao longo do tempo.

Ciclos Econômicos

Os ciclos econômicos se definem como uma flutuação periódica e alternada da expansão e contração de toda atividade econômica de um país ou de um conjunto de países, seja ela industrial, comercial, agrícola, incluindo o setor de serviços (SANDRONI, 2003).

O estudo dos ciclos econômicos está intrinsecamente conectado aos períodos de crises econômicas. A evolução cíclica contínua de desenvolvimento econômico, após o seu auge, tende a aportar em momentos de crises descontínuas e muitas vezes desastrosas.

No início do século XX, o economista russo Kondratiev desenvolveu pressupostos de que a economia mundial apresenta longos ciclos econômicos, conhecidos como os ciclos de Kondratiev.

A Teoria dos Ciclos Longos começou a ser auferida a partir da 1ª Revolução Industrial. Ela propõe que a dinâmica da economia global, constituí-se de ciclos. Apresentam fases de expansão econômica, que após o ápice, entram em declínio e crise, com duração determinada de 40 a 60 anos.

Nos dias atuais, possivelmente em função da velocidade da informação e acentuada interconectividade entre os mercados, os prazos entre as crises reduziram-se, demonstrando aumento da frequência dos ciclos.

As fases cíclicas da economia capitalista moderna englobam a expansão econômica; a recessão (pré-crise); a depressão (crise); e a recuperação econômica.

Ciclo de crises do sistema capitalista
(Reprodução: Jornal Tornado)

Ciclo de crises do sistema capitalista

As crises econômicas, conforme a economia clássica, podem ser derivadas da escassez súbita no abastecimento de bens e provocada por fenômenos naturais, a exemplo de epidemias (economias pré-capitalistas).

Já a teoria Marxista associou a crise ao conceito de mais-valia, em função da crescente concentração do capital em detrimento de uma massa trabalhadora com aviltamento de renda. Estas distorções acarretariam inevitáveis e frequentes crises econômicas no sistema capitalista que no decorrer do tempo entraria em colapso.

Na concepção de Schumpeter as crises são momentos de “destruição criativa“. Pode-se interpretar esse conceito em função da capacidade de superação humana em tempos de crise ou guerras.

A partir de inventivas idéias, geram-se inovadoras invenções que promovem incremento produtivo em larga escala e novas ondas de investimento.

No diagrama da foto da capa, esta etapa, das inovações técnicas, é simbolicamente representada por “injeções” tecnológicas e de produtividade na economia, nos momentos de recuperação, e que promovem novas ondas de expansão econômica.

Após o advento e consolidação do capitalismo financeiro, incluindo a atual etapa da internacionalização e expansão globalizada do capital dos países centrais, o modo de produção capitalista enfrentou duas grandes crises históricas e atualmente vivencia outra, de proporções ainda incomensuráveis.

As crises econômicas citadas são a Grande Depressão (crise da bolsa de valores de 1929), a crise do setor imobiliário norte americano (Sub-prime) de 2008 e a recente crise da pandemia do coronavírus (Covid-19).

(Reprodução: Forbes)

Nova concepção econômica

A análise integrativa a partir dos conceitos e modelos de todas as escolas econômicas, podem auxiliar na formulação de soluções práticas que viabilizem o vindouro, longo e desafiante processo de recuperação econômica pós-pandemia do Coronavírus.

O aprimoramento e a prática dos conceitos da Economia ecológica e da sustentabilidade, e as reflexões impostas pelo isolamento, que coadunam com a concepção do ócio criativo, podem incrementar novos impulsos sustentáveis de inovação.

A falta de percepção da interligação da economia e dos ecossistemas naturais poderá acarretar décadas de atraso, depreciação da qualidade de vida e do meio ambiente, disseminação de epidemias, e, inclusive, lamentavelmente fomentar a autodestruição humana.

Imagem da capa: Ciclos econômicos, por Ricardo Borges

Referências

DENIS, Henri. História do Pensamento Econômico. Editora Livros Horizontes. Lisboa, 1990.

SANDRONI, Paulo. Novíssimo Dicionário de Economia. Editora Best Seller, 11ª Edição. São Paulo, 2003.

SCHUMPETER, Joseph A. Capitalismo, socialismo e democracia. Editora Unesp. São Paulo, 2017.

ZAMBALDE, A. L.; ALVES, R. M. Gestão do conhecimento, tecnologia e inovação. Lavras: UFLA/FAEPE, 2008.

Ricardo Borges

Economista, geólogo e músico autodidata. Trabalha com publicidade e consultoria em marketing digital. Criador de conteúdo e pesquisador nas áreas de geociências e astronomia.

2 thoughts to “O ciclo de crises do sistema capitalista”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

error: Content is protected !! Copyright (c) 2020. GeobservatoriO